domingo, 10 de julho de 2011

8 de Julho de 2011

Apareceu por entre néons e cortinas prateadas, e cedo começou a exortar às hordas, instigando à expulsão de todos os ratos brancos e de todos os mastins de pêlo negro, todos os ratos brancos e todos os babuínos, todos os babuínos e todos os filhos da puta que porventura ainda restassem; importava apenas cumprir o desígnio das suas sábias palavras: devemos fazê-lo,devemos fazê-lo no próprio dia em que nasçamos, devemos fazê-lo sem falta!

Abeirou-se da grade, as suas mãos apoiavam-se no mar de mãos que crepitava ao seu alcance,e nesse momento olhei-o no olho, olho verde, e senti a sua mortalidade durante alguns segundos, lembrei-me dos ratos que olham o Lucas nos olhos e sabem que têm os dias contados, "É preciso olhá-los, olhos nos olhos", disse-me ele no ano passado,"é um momento silencioso e grave".

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