
femme dans la mer,
Auguste Rodin
Mulheres Apaixonadas
quando o mar se alonga e desaparece. No bosque
cada folha estremece ao mesmo tempo que elas emergem,
prudentes, e vão sentar-se na areia da praia. A espuma
brinca inquieta no mar ao longe.
As raparigas têm medo das algas escondidas
sob as ondas, que se enleiam nas pernas e nos ombros:
quanto do corpo é nu. Voltam, rápidas, para a orla
e chamam-se pelos nomes, olhando em volta.
Também as sombras, no fundo do mar, no escuro,
são enormes e vêem-se agitar ao de leve,
como atraídas pelos corpos que passam. O bosque
ao sol-pôr é um refúgio tranquilo,
mais do que o areal, mas as raparigas de pele queimada
pelo sol
preferem estar ao ar livre, embrulhadas na toalha.
Ali estão acocoradas, apertando a toalha
contra as pernas, e contemplam o mar distenso
como um prado ao crepúsculo. Alguma delas se atreveria
agora a deitar-se nua nas ervas dum prado? Do mar
viriam as algas, que afloram os pés,
para a manietarem e se apoderarem do seu corpo trémulo.
Há nas águas do mar olhos que por vezes afloram.
A estrangeira desconhecida que pelo escuro da noite nadava,
sozinha e nua, na mudança de lua,
desapareceu uma noite e nunca mais voltou.
Era alta e devia ser de uma brancura deslumbrante
para, do fundo do mar, os olhos a alcançarem.
15 de Agosto de 1935,
Cesare Pavese
* na preciosa tradução de Rui Caeiro,
inserida no livro "O vício absurdo", &etç
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